Vitor Giovani Thomaz
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O CASO
O Caso
Vitor Giovani Thomaz nasceu em 15 de Novembro de 1988, talvez o ano mais feliz de nossas vidas. Teve uma infancia completamente sadia e normal até os 4 anos, quando começou a mostrar sinais de hiperatividade, irritabilidade e dificuldades de concentração. Após anos de investigações e inúmeras visitas à pediadras, psicólogos e psiquiatras, descobrimos que Vitor possui uma rara doença chamada Gangliosidose GM1. A doença é incurável e progressivo-degenerativa. Em outras palavras, a cada dia a doença piora, pois células cerebrais (os neurônios) são destruidas, causando o paciente a ter sintomas parecidos com um doente mental. Não existe sequer tratamento para essa doença.Sem aceitar esse trágico fim para o meu filho, comecei a pesquisar em bibliotecas de universidades locais e, posteriormente, na internet, tudo sobre essa doença. Desde tratamentos alternativos até o que de mais novo a ciência e a tecnologia estão preparando para as próximas décadas, mas que ainda não foram aprovados para produção em massa.Após inúmeras tentativas, desenvolvi uma fórmula que parece estancar a progressividade da doença. Essa fórmula é preparada em farmácias de manipulação e tem surtido um efeito extremamente positivo em Vitor.Muitas pessoas com parentes que possuem a doença então me contactaram para perguntar da fórmula.Para alcançar esse resultado, gastamos, na época, cerca de US$ 80 mil dólares (cerca de R$ 149 mil atualmente) e tivemos que parar de pagar as prestações da casa, que foi foi a leilão.Em 2010, o processo da Caixa Econômica Federal, financiadora da casa, que teve início na Justiça no dia 30 de março de 2001, caiu nas mãos abençoadas da juíza federal Anne Karina Costa, 39, da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba (PR).O caso já estava transitando em julgado e a liquidação seria feita em breve, de acordo com a decisão judicial. Como eu não tinha dinheiro para pagar as prestações atrazadas, nós teríamos que sair do imóvel. Então, durante uma audiência de conciliação, após a representante da Caixa propor um acordo, expliquei o motivo de não ter pago a dívida.A justiça então reduziu a dívida e autorizou a utilização de um fundo para quitar o restante. Agradeço muito a Deus e à Juíza Federal Anne Karina Costa, que me ajudaram a resolver a questão da casa. Onde iria morar com uma pessoa deficiente e sem poder trabalhar?
A SINDROME
Gangliosidose
As gangliosidoses são doenças hereditárias causadas pela falta de uma enzima celular que deveria degradar substâncias chamadas gangliosídios presentes nas células. Os gangliosídios são glicoesfingolipídios, material celular formado por açúcar e gordura.Quando os gangliosídios não são quebrados, eles vão se depositar principalmente no cérebro, no fígado e no baço. Este depósito será responsável pelo surgimento dos sinais e sintomas característicos da doença.As gangliosidoses são divididas em dois grandes grupos: gangliosidose GM1 e gangliosidose GM2.Gangliosidose GM1A Gangliosidose GM1 é uma doença de armazenamento celular causada pela deficiência da enzima beta-galactosidase. Se esta enzima é deficiente ou não funciona, ocorre simultaneamente o acúmulo de gangliosídio GM1 nas células do cérebro e de outras substâncias à base de açúcar e gordura em outros tecidos do corpo.O acúmulo cerebral de GM1 dará origem principalmente às complicações neurológicas enquanto que o acúmulo de outros açúcares com gorduras será responsável pelas alterações viscerais e esqueléticas provocadas pela doença.Do ponto de vista clínico, a gangliosidose GM1 pode ser dividida em início infantil, início infantil tardio ou juvenil e início na vida adulta.Na gangliosidose GM1 de início na infância, os sintomas são notados nos primeiros dias de vida da criança. Flacidez muscular, atraso no sustento da cabeça e diminuição da atividade e do alerta já são identificados nas primeiras semanas. Atraso do desenvolvimento neuropsicomotor já é claramente percebido antes do terceiro mês de vida, acompanhado geralmente por dificuldade na alimentação e falência de crescimento. Muitas crianças apresentam face arredondada e inchaço das extremidades.Após alguns meses, a criança apresenta movimentos oculares involuntários, crises convulsivas e alteração motora. Os sinais não neurológicos da doença são o aumento do volume do fígado e do baço, alterações esqueléticas e no sangue. Cerca de 50% dos pacientes apresentam também mancha vermelho-cereja na retina. A sobrevida média é de dois anos de idade e a morte geralmente é causada por falência respiratória e infecções.Na gangliosidose GM1 de início tardio na infância, ou juvenil, os sintomas geralmente se iniciam ao redor do segundo ano de vida.Dificuldade e distúrbio da marcha com quedas frequentes são os primeiros sinais identificados. Logo em seguida surgem mostras de regressão neurológica como perda do propósito do movimento dos braços, perda da habilidade da fala, incapacidade de permanecer em pé e de sentar sem apoio e deterioração mental.A criança passa a ter dificuldade para engolir, alteração motora e convulsões. De forma geral, não são identificadas alterações na retina, na face ou no esqueleto. A sobrevida média é de três a dez anos e a morte geralmente ocorre por broncopneumonia.A forma de apresentação da gangliosidose GM1 de início na vida adulta se caracteriza por uma evolução crônica e lenta que pode atingir os pacientes desde os quatro anos de idade até a vida adulta. Os sinais neurológicos identificados são a dificuldade de articulação da fala e os espasmos musculares. Falta de coordenação dos movimentos voluntários, contração muscular brusca e involuntária, mancha vermelho-cereja na retina e aumento do volume de vísceras como fígado e baço não são achados comuns.O diagnóstico da gangliosidose GM1 é baseado na medida da atividade da enzima beta-galactosidase em sangue ou em células da derme, a segunda camada da pele, os fibroblastos, cultivados. Nos pacientes com gangliosidose GM1, a atividade da enzima está muito baixa ou impossível de ser detectada.Gangliosidose GM2A gangliosidose GM2 é um grupo de doenças caracterizadas pelo acúmulo de gangliosídio GM2 e algumas substâncias à base de açúcar e gordura nas células do cérebro e, em menor extensão, nos órgãos e tecidos do corpo. Normalmente a quebra do GM2 depende de duas enzimas: a hexosaminidase A e a hexosaminidase B, e da proteína ativadora do GM2.A deficiência na atividade da enzima hexosaminidase A leva a uma doença chamada Doença de Tay-Sachs que também é conhecida como gangliosidose GM2 de início tardio. A falta de ambas as hexosaminidases (A e B) leva a apresentação infantil e juvenil da Doença de Sandhoff.O diagnóstico da gangliosidose GM2 é baseado na medida da atividade das enzimas hexosaminidases A e B em sangue ou em células da derme, a segunda camada de pele, fibroblastos, cultivados. Nos pacientes com gangliosidose GM2, a atividade destas enzimas está muito baixa ou é impossível detectá-la.Doença de Tay-SachsA Doença de Tay-Sachs é causada pela deficiência da enzima hexosaminidase A, o que leva ao acúmulo do gangliosídio GM2 em células do cérebro. Clinicamente, a enfermidade se manifesta por reação aumentada a ruídos e sons, revelando uma resposta acústica anormal, deterioração neuropsicomotora, importante flacidez muscular, cegueira, convulsões e mancha vermelho-cereja na retina. As vísceras e o esqueleto não são comprometidos.A doença é extremamente agressiva ao Sistema Nervoso Central e a sobrevida média do paciente não ultrapassa três a cinco anos de idade.Doença de SandhoffA Doença de Sandhoff é causada pela falta conjunta das enzimas hexosaminidase A e hexosaminidase B. Isso leva ao acúmulo de gangliosídio GM2 e outros açúcares e gorduras nas células, trazendo sinais semelhantes aos já descritos na Doença de Tay-Sachs. Podemos encontrar também aumento do volume do fígado e do baço e alterações esqueléticas.Tratamento das gangliosidosesAtualmente, não existe um tratamento específico e curativo para os pacientes com gangliosidoses. Medidas de suporte visando o controle das complicações são indicadas. O uso de medicamentos para o controle das crises convulsivas, o manejo dos espasmos musculares e o suporte nutricional adequado podem melhorar a qualidade de vida dos afetados.Experiências em animais com Terapia de Redução de Substrato (TRS) mostraram uma futura e promissora abordagem terapêutica para estes pacientes. Outras formas de tratamento como o uso de proteínas auxiliares, terapia de reposição enzimática por via endovenosa, transplante de medula óssea e terapia genética estão em estudo, ainda sem o sucesso desejado para o controle da doença.
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